Mostrando postagens com marcador TEXTOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TEXTOS. Mostrar todas as postagens

28/08/2013

No Leme, ponto de ônibus

No Leme, ponto de ônibus:
- Qual busão eu pego pra ir pra Conde do Bonfim?
- O 413 ou 415...
Meia hora depois:
- Ah! Só que não passa aqui não.

07/08/2013

na noite

papo vai papo vem:

"você tem feici?"

não, não tenho a porra de feici não

"qual é seu signo?"

não, não tenho menor interesse em astrologia não

"nossa! como você é chato!!"

sim, isso pode ser sim

02/08/2013

TAMBÉM MORRE QUEM ATIRA




Texto de Guilherme Simões e Ilustração de João da Silva




João nasceu na curva de São Paulo, onde “o vento encosta o lixo”. Longe da atenção da imprensa e dos secretários, subsecretários e outros profissionais do serviço ao cidadão. 

João não era exatamente um cidadão. Nasceu numa família fadada à desagregação. Coisa típica dessa gente sem cultura e educação, os pobres. Por isso não tinha passeio no fim de semana nem presente em data especial. João era mais um na multidão sem cara e coração da metrópole.

Quando pela primeira vez o Conselho Tutelar foi na casa do João, a mãe dele tava chorando. O pai tinha acabado de sair. Não tinha emprego, mas era agressivo. Bateu na mãe do João porque ela perguntou sobre a mistura. João viu, mas fingiu que não viu. Não perguntou nada pra mãe. 
Também não tentou consola-la. Tinha muito medo do pai, que o molestou, ele e os outros 5 irmãos, durante 5 anos até ser esfaqueado pelo mais velho.

A moça do Conselho queria saber por que um menino de 8 anos não estava na escola e etc. A mãe se saiu prometendo que segunda feira iria fazer a matrícula do João e que estava esperando cair um dinheiro pra ela comprar o material da criança. Lápis, borracha e um caderno. A mãe comprou e o João levou o material na mão, já na outra semana. Ele tinha 8 anos e entrava na 1ª série sem saber ler. Nunca imaginara que crianças menores que ele poderiam tirar sarro dele. Ele nem sabia o que era sarro, ironia, maldade. Ele era um menino. Mas sentia uma coisa aguda lhe entrando quando as crianças alegavam saber mais coisas do que ele e que por isso eram melhores...

João seguiu na escola até desistir, depois de incentivado pela diretora da escola estadual. João não teria o “perfil” da escola e por isso, sua situação de déficit de aprendizagem não poderia ser solucionado ali.

-E pra onde eu levo ele? Perguntou a mãe, querendo saber o que fazer, porque aquela era a única escola estadual do bairro. Se ele tivesse que estudar no bairro vizinho, como fazer? Não dava pra pagar ônibus e nem dar outro jeito. Ficou mais um ano sem ir pra escola o menino João.

João não poderia imaginar que aquele absurdo que estava prestes a cometer seria o próximo grande escândalo moral da sociedade brasileira, guiada pelos meios de comunicação, mas também pelas opiniões de professores, políticos e empresários. Mas João jorrava sangue no olhar. Era cruel. Sabia que era bárbaro, mas não sabia que somente 15% dos crimes em São Paulo eram cometidos por adolescentes como ele, nem que a maioria dos crimes não eram homicídios. João estava entre os 8% que cometem homicídios. Porém, era evidente que ele não sabia que dos quase 5 mil homicídios dolosos cometidos em São Paulo em 2012, 2% foram praticados por menores. Isso não importava à “sociedade”, sedenta por vingança contra os criminosos e por paz pra si própria.

Jamais lhe ocorreria que a redução da maioridade penal seria exigida por mais de 90% da população paulista, segundo um jornal de grande circulação, depois do que ele estava prestes a fazer. Mesmo que a redução da maioridade penal fosse inconstitucional, João não sabia o que era constituição, então não pensava nisso. Ele queria apenas ter um pouco daquilo que nunca teve. Como os outros 90% dos menores infratores, João abandonou a escola ainda no ensino fundamental. Talvez por isso não calculou que aos 13 anos ele seria sim penalizado e seu crime tinha que ser pago com 1 ano de cárcere. Iria pra Fundação Casa, onde milhares de adolescentes cumpriam “medidas sócio-educativas” para serem “reintegrados” à sociedade. 

Costumava ouvir que o Brasil era o país da impunidade, mas, apesar de não saber o que significava a palavra, João sabia que dois de seus 5 irmãos haviam passado poucas e boas na Fundação, pagando pecado até de antepassado.

Ele não pensou que, passando por ali, seria mais violentado. Que as brigas, rebeliões e mortes que presenciaria o tornariam um homem ainda mais cruel. Ele apenas queria um pouco daquilo que nunca teve. Qualquer produto banal que as propagandas quase obrigam os jovens a consumir. Não pensava nos planos do governador pra gente como ele nem poderia presumir que se tornaria o grande inimigo público na TV, nas salas de jantar, botecos, boutequins, pistas de dança, salas de aula, facebook, reuniões, conversas de todo tipo. Queria porque queria ter o tal produto. Foi roubar. Roubou e matou sem dó. Saiu correndo por alguma das avenidas que ligam o centro aos bairros da classe média. Não sabia o que fazer. Produto do roubo na mão e a filha de um cara famoso no chão.

Um projeto de redução da maioridade penal em andamento, passeata em branco pelas ruas do bairro de classe alta. Todos querem se vingar do João. Alguém tem que pagar pelo crime. Alguém é culpado. O João?

PS: 1- o promotor que acusou João havia sido advogado de defesa de certos menores de idade que, anos antes, incendiaram um indígena que dormia na rua;

2- qualquer coincidência com a realidade nesse texto é uma mera coincidência com a realidade.

(Guilherme Simões é professor e militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)

30/07/2013

Capa pro Zine do Batata

Hoje recebi uma encomenda de manhã(13:30h). Uma ilustração pro novo zine do Batata. O décimo terceiro dele. Baseado numa foto em que ele dá em cima da Dona Dirce. Quem não conhece a Dona Dirce clica AQUI pra conhecer. Ela é mentora de um amigo meu, o Flóqui. Também fui citado na capa do zine. Uma reflexão sobre esse mundo sério em que vivemos:

não podemos nos levar a sério
se não já somos o novo estado
temos sempre que ser contra-poder

a melhor forma é desmoralizar-nos


09/07/2013

Ensaio sobre o Kaos

"A esquerda em geral é muito preocupada com onde a coisa vai dar e nessa preocupação se mantem a ordem. Pode existir revolução, sociedade sem classes e sem propriedade privada? Pode ser ou pode não ser(...) Essa é a chave. Tudo pode acontecer."



 "O problema de muitos marxismos é fazer coro e prática com os capitalistas na inevitabilidade de presente e futuro fumacentos ligados a grande indústria, ao progresso e a ilusão de conforto."




"Se nos abrimos para o acaso vai ser acaso. Só o acaso pode mudar. O acaso é o inverso da ordem. A ordem é algo artificial. Alguém inventou (...) Desorganizando pra me organizar, organizando pra desorganizar, como na música do Nação."




 "Ordem e caos são invenções. Caos é o inverso da ordem inventada que aí está."


Presse zine, entraram na minha mente Mazó Zié, Banda Discarga, Gabriel Barcelos, Zuca, meu amigo Bruno, Tira, Tessy, Adriano, FSB, Ana Furlan, pichações de muros que li poraí e mais um punhado de gente...

É um zine em construção. Críticas, inversões de raciocínio, entradas na mente e ofensas são bem vindas e serão publicadas nesse blog e em papel se assim o criticador quiser desde que não haja agressão física.

Escrevam para zinedojao@gmail.com

A trilha sonora você escuta apertando AQUI

06/06/2013

ENSAIO SOBRE A FAMÍLIA

 
 
 
 
 



 
 
"a família, por excelência, é o lugar da perpetuação da tradição. é de pai para filho que são transmitidos os valores mais antigos e mais consolidados. é na família, portanto, que se faz a resistência às propostas mais arriscadas; é na família que se preserva as ideologias e certezas que mantém firmes as estruturas da sociedade. na mesa da sala, o almoço preparado com afeto pela mãe e a palavra preocupada e sábia do pai transformam em ingratidão e semi-loucura o descontentamento do filho em relação ao destino que lhe cabe desde o berço."
Arthur Prado, no Re-escrita de tudo



 
 
 





“Na sua origem, a palavra família não significa o ideal - mistura de sentimentalismo e dissensões domésticas do filisteu de nossa época; - a princípio, entre os romanos, não se aplicava sequer ao par de cônjuges e aos seus filhos, mas somente aos escravos. Famulus quer dizer escravo doméstico e família é o conjunto dos escravos pertencentes a um mesmo homem. (...) A expressão foi inventada pelos romanos para designar um novo organismo social, cujo chefe mantinha sob seu poder a mulher, os filhos e certo número de escravos, com o pátrio poder romano e o direito de vida e morte sobre todos eles.”
Engels, na Origem da Família, do Estado e da Propriedade
 
 
 
 

"Em certo momento, nem parecia que era uma conversa na delegacia, conversávamos sobre meus pontos de vista, ele [o delegado] perguntava, eu respondia, “e o que você acha de Deus?”, “e família?” e demonstrava admiração com as respostas, Deus tá acima do alcance da compreensão humana e as religiões cometem a arrogância de definir o que é e como funciona, pretensão tão vazia que dava margem pra tantas religiões diferentes e tantos conflitos e sofrimentos desnecessários, família era a humanidade inteira, só que ainda não nos havíamos dado conta."
 
 
 
 
"O sujeito pode dizer o que quiser. Mas em primeiro lugar vai agir pensando em sua família. Em qualquer momento de instabilidade a prioridade vão ser seus filhos. Em qualquer momento de acirramento das lutas seus próximos virão em primeiro lugar. Mesmo pra travar uma luta individual, pra realizar um desejo íntimo qualquer: as palavras do pai, da mãe, dos avós e dos filhos vão pesar,  e a aprovação desses será necessária pra esse sujeito(...) Pra acabar com esse sistema de hierarquia, exploração e competição deve-se acabar com a família como ela está organizada hoje"
Mazó Zié no zine Escrivinhando o Anarquizamento
 
 
 
 
Este é um zine que está em construção e será impresso em breve. As imagens são dos zines Incardido e Feio e Fantasia, além da foto do blog Re-escrita de Tudo.Quem ler e tiver mais reflexões e idéias de desenhos escreva para zinedojao@gmail.com
  
Por enquanto estão colaborando Eduardo Marinho, Engels, Mazó Zié, Arthur Prado, Slavo Zizek, Vovô Abraham Simpson e meus irmãos Fael, Biel e Batata.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

18/03/2013

Entrevista com Vantuir


Na Miséria 6, que está diagramada mas nunca foi impressa, feita em julho/agosto de 2011, publiquei o longa metragem do Vantuir - Ódio e Resignação(feitos também com idéias da Ana Maria, Jiló, Bussunda e Vladi). Esse longa-metragem, que você pode ler AQUI  começou a ser pensado na casa da Didi Crocomila e do Samu, quando li os quadrinhos do Crumb. Antes o Vantuir tinha o traço inspirado no Henfil e no Feiffer, um traço com o mínimo de informação possível, no formato de tirinha. Nesse longa, que demorei uns bons meses pra fazer, usei o máximo de tinta possível, no tempo entre vadiagens e vendas de quadrinhos. O desenho foi regado a muito dirijo e inspirado em Crumb e Gibert Shelton - esse último apresentado pra mim pelo Odin, amigo do Môtxa.

Após o longa fizeram uma entrevista com o Vantuir que também ia ser publicada na Miséria 6. Segue a entrevista - ainda inédita - e depois os créditos do longa:

...............................................


Eleições - Dilma X Serra - e a história da construção de uma charge

A campanha da Dilma contra o Serra estava em seu alge. Batata Sem Umbigo tinha me tinha ensinado o que era um blog e já tínhamos a prática de postar algumas charges e quadrinhos no blog da Miséria, quando tive a idéia da charge acima. Com meus pobres recursos em desenho não conseguiria fazer. Então avistei Ricardo Flóqui sentado, vadiando como sempre, e propuz de desenharmos juntos. O Flóqui fez os cagões e eu o povo, também usei os personagens do Jaguar, as aranhas Hélio e Jacy, pra comentar a charge. O Flóqui que coloriu - e depois reclamou muito dos meus desenhos serem abertos e dificultarem a pintura, tendo que fechar a cara e o corpo usando o mouse.

11/03/2013

Esotérico

Posto que vivemos hoje num mundo em que o pensamento único virou a regra, em que todo mundo policia todo mundo e que nunca estamos livres de se deparar com representantes de ditaduras várias - a do automóvel, da higiene exageradamente perfumada e cara, a da carne de bicho morto, do conhecimento acadêmico como verdade absoluta, dentre várias outras - resolvi estudar a verdade corroborada pelos meus conhecidos que mais me causa irritação: a astrologia.

- Qual é seu signo?
- ...
- Ei, qual é seu signo?
- ...
- Ei!
O silêncio nada adiantou e tive que responder.

Por que todo mundo se interessa por isso? Por que isso responde alguma coisa?
Se alguém aí também não se interessa por esse tipo de conhecimento por favor levante a mão e vamos pastar enamorados pelos campos verdejantes!!!

Silêncio.

Silêncio.

Um grilo canta.

Assumi que perdi essa guerra. Fui subjugado por mais esse pensamento único. Vamos então estudar a coisa. Fiz um curso rápido online e agora também faço horóscopo. 

Toda semana postarei nesse blog as previsões.

Vamos lá:

Áries
Sua semana não promete nada de interessante. Fique em casa vendo TV e tomando cachaça. Se seu chefe te ligar cobrando algo mande ele a merda. Lua Nova em Peixes torna você mais fechado e reflexivo, portanto fique em silêncio se sua mãe ou esposa perguntar algo.

Touro
Corra de sua responsabilidades. Fuja. Fuja rápido!!! Isso! Esquiva prum lado, pro outro, vá pro lado oposto de onde iria normalmente. Quebre seu celular. Depois venda seu carro pegue a grana e torre onde você quiser com o que ou quem você quiser. Viagens, bebidas, comida, etc, tudo é válido. 

Gêmeos
Momento ótimo pra abandonar sua família. Deixe aquele verme machista e intolerante com as crianças e ainda o processe por uma boa grana. Depois refaça sua vida em uma cidade com praia. Lua Nova em Peixes te deixará decidida e sem remorsos.

Câncer
Você vai se esforçar o máximo e novamente não será reconhecido. Nada do que planejou, almejou, sonhou, confabulou, se realizará. Novamente. E assim talvez por mais várias semanas. Lua Nova em Peixes te deixará desequilibrado, portanto compre uma arma e guarde para ocasiões especiais.

Leão
Putaqueupariu. Ai, meu Deus!!! Putaqueupariu. Nossa... Nossa... Trágico, trágico... Melhor nem dizer nada... 

Virgem
A Lua Nova em Peixes te deixará muito desse jeito mesmo que você está te levando pro lugar que você iria. Nossa. Que semana emocionante.

Libra
Já que você aguentou até aqui, uma semaninha mais uma a menos vai mudar o quê, né cumpadi? Nem sei porque me dou ao trabalho de escrever algo... Vá pela sombra, não exagere na coxinha, ou vá pelo sol e se entupa do que quiser, quem se importa?? 

E por aí iria se o tempo na lan house não tivesse acabando...

16/01/2011